terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sentir


A busca da ausência total de perturbações e ansiedade, da tranquilidade do espírito e da imperturbabilidade da alma, eliminando-se os desejos superficiais! A procura do autodomínio das paixões e a afirmação da autonomia da razão face às pressões exteriores! Ataraxia… Como a vida seria muito mais fácil se a conseguíssemos alcançar…
Recordo-me de Ricardo Reis e dos seus poemas que tanto me fascinaram… Recordo-me da sua infinita busca por uma felicidade relativa e que só seria alcançada pela indiferença à perturbação! Como os seus textos exaltavam o Carpe Diem e a sua teoria do “vive o momento”, nunca cedendo aos impulsos e instintos. Recordo-me de como quis durante muito tempo seguir esta filosofia de vida, para que nunca mais tivesse de suportar desilusões, frustrações, traições, medos, sofrimentos… Para que nunca mais me agarrasse ao que é efémero…
Implicou um aperfeiçoamento pessoal e um certo distanciamento do mundo! Foi um estado que originou negação e que se traduziu numa repressão fria da minha própria essência e numa eliminação da espontaneidade que me caracteriza. Quis afirmar a autonomia do meu espírito face às pressões que me chegavam do mundo! E fi-lo durante meses! E tento fazê-lo ainda hoje! Mas é exactamente este Hoje que me demonstra que aquela pessoa não era eu e que a filosofia só tem encanto exactamente porque é apenas filosofia…

Há que conhecer os sentimentos mais díspares e antagónicos para sentirmos verdadeiramente que o sangue nos corre nas veias e que não somos feitos apenas de carne…

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